terça-feira, 18 de março de 2008

IMORTALIDADE MATERIAL











Vida.

Desejamos ser imortais.

Materialmente.

A imortalidade material seria a nossa interminável felicidade.

Há duas noções sobre o nosso destino: a extinção e a sobrevivência em espírito.

Alternativas jamais são consideradas.

Sonhamos mais.

Deve haver uma noção além e acima do materialismo e do espiritualismo.

Esta é uma alternativa.

Somos imortais.
Vivemos infinitamente.

Em mente e corpo.

A idéia é milenar mas esquecida. Ela jorra beleza.
E é facílima.

Ela é esta.

O Universo é uma substância.

A substância vibra.
Tudo é vibração.

A vibração menos intensa é matéria.
As vibrações mais intensas são mente.

Por quê?

As vibrações menos intensas filtram as mais intensas.

Mas a vibração menos intensa de todas é completamente exposta.
Não há outra a filtrá-la.
Por ser exposta, essa vibração é-nos totalmente consciente.
É tangível.
Concreta.
É matéria.

As vibrações mais intensas, por serem filtradas pela vibração básica, são só parcialmente expostas.
São-nos menos conscientes.
Intangíveis.
Abstratas.
São a mente.

A mente experiencia a matéria porque não a filtra.
A matéria não experiencia a mente.
Filtra-a.

Filtrar é impedir a manifestação completa de outra vibração.

A substância vibra infinitamente.

O Universo é formado de infinidades de planos.

A nossa realidade mental e material é um plano do Universo. É um conjunto de vibrações.
Um plano é uma faixa. É uma fatia do todo. Um âmbito. Uma área.

Plano após plano aumenta a intensidade das vibrações.

Cada plano é definido por um limite vibratório mínimo.
É o seu nível básico.
Além dele há vibrações mais intensas.

O nível básico, plano após plano, por não haver outro a filtrá-lo no próprio plano, é sempre matéria. Os mais intensos são mente.

Matéria não é a característica de um nível vibratório mas da relação entre os níveis.

Ao morrermos, isto é, ao passarmos a vibrar conscientemente no próximo plano, descartamos as vibrações básicas deste plano anterior, a nossa matéria, mas continuamos com as nossas vibrações mais intensas.

Essas vibrações, no próximo plano, também compreendem uma faixa.
Somos sempre um nível básico e níveis mais intensos.

Pela dinâmica vibratória, os níveis mais intensos serão a nossa mente e o nível básico será a nossa matéria.

O mesmo ocorre com o que chamamos ambiente.

O ambiente aqui neste plano faz-se de vibrações básicas. É o mesmo nível que forma o nosso corpo.
É exposto.
Tangível e concreto.
Nos próximos planos há também um nível vibratório externo básico.
É matéria.

A vida prossegue abstrata e concreta.
Mental e material.
Há sempre continuidade na nossa experiência.
E intensificação.

Continuidade e intensificação.

As vibrações da matéria nos próximos planos, por serem mais intensas, aproximam-se do nível das vibrações mentais aqui neste plano.
Filtramo-las.

E somos inexoravelmente levados a intuir os próximos planos como imateriais.

Mas sempre nos próximos planos as vibrações básicas, por jamais serem filtradas no seu próprio plano, são totalmente expostas.
São concretas.

E como todas as vibrações são mais intensas, todas as experiências se intensificam. Tanto as mentais como as materiais.

Há mais ações e mais conseqüentes.
É maior a nossa percepção da solidez e de cores e sons. Há mais tato, sabores e odores. Mais memórias, mais sentimentos. Mais idéias.
Todos sempre mais vívidos.

É mais do que termos experiências abstratas e concretas nos próximos planos existenciais.
Intensificamos a vida mental e a vida material.
O desejo.
Carne.
A vida.
Existir é mais.
Factual.
Vasto.
Consciente.

Realíssimo.

Agiremos.

É ser.

Vamos agora considerar os itens.

A substância é-nos desconhecida.
É substância no sentido de ser fundamento.

Não é material nem imaterial.
Matéria e mente são experiências nossas.

A substância cria o espaço e o tempo.
Vibração é deslocamento no espaço em um período de tempo. Ao vibrar, a substância vai criando-os.

O Universo está sendo constantemente criado pela vibração da substância.

É sem sentido supor o que haveria antes de a substância vibrar, pois o tempo é criado pela vibração. É sem igualmente sentido supor onde estaria a substância antes de vibrar.

Objetos não se situam no espaço e no tempo: são o espaço e o tempo.

E sendo a substância o Universo, ela é todo o tempo que há. E por isso o eterno.
É todo o espaço que há. E por isso o infinito.

Espaço e tempo são indivisíveis.
São a base do Universo.

Universo é realidade material e mental.

Tudo é a substância.

Astros. Sonhos. Horrores. Árvores. Sangue. Sol. Idéias. Brilhos. Êxtases.

A substância, em níveis vibratórios crescentes, forma estas faixas.

Energia.
Memória.
Percepção.
Afetividade.
Pensamento.
Intuição.
Desejo.

É o que somos.
O que o Universo nos é.

Não há hierarquia. Se invertêssemos os níveis vibratórios e a capacidade de filtragem, o resultado seria o mesmo. Prosseguiremos com a seqüência original.

Vamos agora apreciar as faixas.

A energia existe na forma de matéria e de radiações. Se menos vibrátil, na forma de matéria. Na forma de radiações ao vibrar mais. Podemos aqui nos referir à faixa como matéria. Se necessário, notaremos a diferença.
A memória é o elo do físico com o mental. São as nossas recordações e o repetir de todos os processos do organismo desde o nível dos átomos.
A percepção ou sensação é a faixa pela qual experienciamos o universo físico. São os cinco sentidos: o tato, o olfato, a visão, a audição e o paladar.
A afetividade são os sentimentos e as emoções. Por vibrar em posição média, em geral a afetividade tem partes iguais de elementos mentais e físicos.
O pensamento ou idéia é a primeira faixa predominantemente mental. Tende a ser objetivo.
A intuição é um grau mais mental do que o pensamento e volta-se ao desejo. Sendo a expressão de níveis que nos são mais filtrados e menos conscientes, é mais subjetiva do que o pensamento e menos lógica. Não é por isso menos real, desde que saibamos que a sua área é simbólica.
O desejo é a faixa mais vibrátil. Por ser o ápice do espaço-tempo e estar à borda de vibrações que virão mais intensas, refere-se ao futuro.

A atenção é o foco voltado a uma das faixas.

A abstração em faixas é um modo de se poder analisar a experiência. As faixas compõem-na, mas vivemos mais do que o conjunto.
O caso é análogo ao dos raios do Sol, que sendo constituídos de faixas, do violeta, azul, verde, amarelo e laranja ao vermelho, têm uma expressão total diversa.

Vamos agora avaliar como as faixas agem.

O físico não é a causa do mental. O mental não é a causa do físico.
A vibração da substância é um acontecimento único, que se traduz em matéria, memória, percepção, afetividade, pensamento, intuição e desejo.
O físico e o mental são simultâneos.
O foco da experiência pode ser qualquer uma das faixas, mas as outras sempre vibram de modo menos ou mais consciente para nós.

Nadar. Rir. Apaixonar-se. Tudo nos é experiência de matéria, memória, percepção, afetividade, pensamento, intuição e desejo.
Ao ouvir ou ler a palavra mar, o organismo é a experiência de todas as lembranças ligadas ao mar e à palavra mar, vive imagens mentais, sentimentos em relação ao mar e à palavra mar e noções, intuições e desejos. Todos se associam a significados próximos, por meio de todas as faixas, em uma rede potencialmente infinita. O bloco é filtrado e a própria mente seleciona os conteúdos úteis para a situação, caso contrário a vida prática seria inexeqüível, mas a vibração do organismo é totalizadora.

Organismo é conjunto de faixas.

Vamos criar uma imagem gráfica.

Imaginemos que matéria, memória, percepção, afetividade, pensamento, intuição e desejo se dispõem em anel, de modo que a vibração básica da matéria se liga às mais intensas do desejo.
É o Eu.
Por esta ligação, as faixas podem abstrair entre si as experiências. Espelham-se. Assim, são autoconscientes.
O Eu experiencia a si mesmo separado das vibrações fora da sua circunferência.
Para o Eu, sempre o resto do Universo é realidade externa. É objeto.

A autoconsciência, que é o Eu, milenarmente tem sido expressada pela imagem da serpente que morde a própria cauda.
É representação intuitiva e simbólica.

O importante sempre para este relato é que os níveis menos intensos filtram os mais intensos.

Consideremos a série crescente de intensidade.

Matéria.
Memória.
Percepção.
Afetividade.
Pensamento.
Intuição.
Desejo.

A matéria filtra a memória, que filtra a percepção, que filtra a afetividade, que filtra o pensamento, que filtra a intuição, que filtra o desejo.

Isso é sempre esquemático. É para podermos compreender-nos.

As faixas mais intensas são as mais filtradas.
Mas as menos intensas são as mais expostas.

Assim, a expressão total de cada faixa equipara-se à das outras: quanto mais intensa, menos exposta e quanto menos intensa, mais exposta.
As faixas equilibram-se. Por isso são igualmente importantes.

Para além da nossa intensidade, já vibram os níveis que constituem a experiência nos outros planos existenciais.
Qualquer proximidade entre nós e esses planos se dá pela faixa do desejo.
A imortalidade e experienciar a vida em outros planos é agora para nós principalmente desejo. Também algo de intuição.

A série, se notada com especificidade, é similar à das camadas de elétrons em torno do núcleo de um átomo.
O extremo de uma faixa pode ultrapassar a base de outra mais intensa.
Pontos da energia são filtrados pela base da percepção: as radiações são-nos invisíveis.
Para as faixas francamente mentais, o efeito não é importante. Vibrações da intuição filtram algumas do pensamento, por exemplo, mas isso quase não traz significado.

Os níveis menos intensos filtram os mais intensos. É esta a dinâmica geral.

Cada organismo é um Eu ou experiência.
Humanos assemelham-se ou discrepam. Mas jamais são iguais nem completamente diferentes.
Como todos experienciamos aqui o mesmo plano, e somos constituídos dos níveis vibratórios do plano, podemos poeticamente dizer que todos somos a mesma carne e a mesma mente.
Na perspectiva extrema, não há diferenças. Quem hipoteticamente seria a pessoa mais consciente agora, e a que menos o seria, estão ainda dentro do mesmo limite existencial e nada além lhes poderia ocorrer.
Por exemplo, ninguém dentre nós sabe por que existe e por que existe o Universo.

As experiências são deveras mentais.
Só para conveniência, chamaremos físicas as experiências cujo foco se volta mais à matéria e mentais as mais voltadas ao desejo.

Especificaremos que uma experiência é percepção, pensamento ou memória se a atenção se volta a essas faixas enquanto as outras nos estão menos conscientes.

Já que as faixas se equilibram, o organismo pode passar o foco de uma para outra.

Unidade e multiplicidade são experiências.
Ligam-se ao espaço e ao tempo.
O organismo considera a realidade de uma ou da outra forma, de acordo com a atenção.
Para o foco na matéria, a multiplicidade é útil. E inevitável.
Se o foco estiver em níveis mais intensos da intuição e do desejo e à borda do transcendental, o organismo tenderá a experienciar união com o Universo, pois toca vibrações mais abrangentes, que se aproximam da totalidade. Essa experiência é geralmente êxtase.
A substância em si não é única nem múltipla.

O organismo geralmente experiencia a dualidade.
Tende a ilhar-se e divide o Universo em realidade interna ou Eu que é sujeito, e realidade externa.
Quanto mais o foco se volta às vibrações menos intensas, ficam marcantes a dualidade e a experiência de ser sujeito.
É só assim que se cria ciência.

Causa e efeito são noções que ligamos ao espaço e ao tempo.
Eles são intuídos como elos entre os fatos.
Como não abrangemos objetivamente o todo, partes do Universo são relacionadas em termos de causa e efeito pela mente.
A partir de níveis extremos do pensamento, causa e efeito teriam ligações e ramificações tão complexas e tenderiam tanto ao infinito que não poderíamos concebê-las.
Além deste ponto, o Universo começa ser experienciado como uno. Causa e efeito diluem-se. Tudo é experienciável como evento cósmico.

A substância não é sagrada.
Divino e sagrado são distorções ligadas aos níveis vibratórios.
Podemos usar esta alegoria gráfica:
Os níveis mais vibráteis têm mais dimensões e pesam. Os níveis menos vibráteis experienciam um estado de tensão.
É como se vergassem ao peso.
Este peso se traduz geralmente em medo. Os planos existenciais mais vibráteis não só nos parecem sagrados como os tememos.
De plano para plano, as vibrações básicas tornam-se mais intensas e distorcem menos as seguintes. A vivência do sagrado diminui gradualmente. Perde-se o medo.

Corpo e alma são sempre um só fundamento. Mas fazer a distinção vale para os aspectos objetivos.
Como o organismo só lida com as suas experiências, parece-lhe mais coerente a divisão.

Neste relato, corpo é sinônimo de matéria e alma é sinônimo de mente.

Vamos agora à matéria.

A sua característica é a impenetrabilidade.
Só esta.

A impenetrabilidade independe da experiência.

É intrínseca ao espaço-tempo.

Já que o vibrar da substância é espaço-tempo, ele é específico para cada ponto do cosmos. Dois objetos não se situam ao mesmo tempo no mesmo espaço. Se o fizessem, seriam o mesmo objeto.

A solidez não é propriedade da matéria.
É percepção tátil.

Quando sonhamos, sentimos a solidez de objetos sem que haja objetos.
Acordados e com as mãos anestesiadas, tocamos em objetos e não sentimos solidez.
A solidez é uma experiência mental.
A impenetrabilidade é física.
Quando dormimos, não estamos conscientes do leito. Mas não desabamos através dele nem ele desaba através do assoalho porque a matéria é impenetrável.

Sonoridade, cor, odor e sabor também não são características da matéria mas da percepção.
Objetos dentro de uma sala, sem que nenhum organismo os experiencie, não têm sabor, odor, cor e som.
São a substância básica a vibrar.
São espaço-tempo e impenetrabilidade.
Nem sequer são objetos, pois objetos correspondem a um significado.

Em um planeta de Sol azul, seriam verdes as flores que na Terra são amarelas.

É razoável raciocinar que as vibrações mentais também são impenetráveis, pois a sua base é o espaço-tempo. Mas seria uma noção alegórica. Teríamos de dizer que a sua impenetrabilidade não é física, já que são faixas mentais.

Portanto para uma vibração configurar matéria é necessário ser completamente exposta.
Totalmente experienciável.

Agora podemos definir:

Matéria é vibração exposta e impenetrável.

Que é exatamente a filtragem?

É o impedimento da expressão completa de uma faixa devido ao efeito de crivo que outra faixa menos vibrátil lhe representa.

Vamos a esta imagem.

Uma faixa vibra dez ondas, em uma linha de um centímetro, durante um segundo.
A faixa seguinte vibraria, para o mesmo intervalo, mil ondas.
A nossa experiência só seria para as ondas que coincidissem com as da primeira faixa.
Uma para cem.
As outras ondas estariam filtradas pela faixa anterior e não-conscientes para nós.

Já que o pensamento filtra o desejo, pensamento e desejo coincidem em alguns pontos. Não na maioria.
Intuições mais se harmonizam com o desejo.
Os sentimentos são-nos mais diretos do que as idéias. A matéria é-nos visível objetivamente. Lembranças são também visíveis, porém mentalmente.
O que o nosso consciente mais conhece de nós é o corpo. O que menos conhece é o desejo.

Sempre a filtragem é parcial, caso contrário uma faixa não seria experienciada. A área completamente filtrada de uma faixa é completamente inconsciente. Áreas parcialmente filtradas são parcialmente conscientes ou pré-conscientes.

O fato de a substância vibrar ao infinito não significa que esteja a preencher algo que se consideraria o nada. Esta noção reduz o espaço-tempo à nossa faixa material básica. A substância é sempre o todo.

Cada faixa vibra ao infinito.

O organismo é uma vibração infinita, cujas partes também são infinitas.
É análogo à série dos números reais positivos. Ela tem um início e é infinita.
Imaginemos agora os números de um a sete.
Entre cada um deles há uma série infinita de frações. E entre duas frações há séries infinitas.
A experiência é infinitos a englobar infinitos.

Além da filtragem de uma faixa por outra, uma faixa é filtrada por subníveis menos vibráteis dela mesma.

Desejos menos intensos filtram os mais intensos. A faixa material filtra a si, de modo que a matéria propriamente dita é só o subnível exposto e básico. Os seus subníveis mais intensos, enquanto não forem expostos, são imateriais.

Há deveras filtragem.
Enquanto líamos a frase acima, provavelmente não estávamos conscientes da palavra fênix. A palavra existia em nós. Mas em uma área filtrada.
Para sermos precisos: a palavra fênix é parte do nosso organismo.

A vida consciente em geral se situa em um âmbito de percepção, afetividade e pensamento.
É o foco natural de equilíbrio pois essas faixas são centrais. Normalmente precisamos de um ato da atenção para nos deslocarmos à intuição e à memória. O desejo tende a permanecer não-consciente.

As faixas são expressões de uma só experiência, mas nem sempre se pode deduzir uma faixa pela outra.
A matéria só em parte indica a mente. Isso porque a faixa material, sendo menos vibrátil, não comporta as faixas mentais para uma indicação precisa.
As alterações no cérebro pela experiência do medo ainda são específicas e identificáveis porque a afetividade é relativamente menos vibrátil. Já a intuição e o desejo, por serem bem mais vibráteis e terem mais dimensões do que a matéria, jamais podem ser definidos de todo a partir de dados físicos.

Vamos tratar de determinismo e liberdade.

Consideremos as faixas agora em série decrescente de níveis vibratórios.

Desejo.
Intuição.
Pensamento.
Afetividade.
Percepção.
Memória.
Matéria.

O desejo, mais vibrátil, é mais dimensional.
É sujeito.
A matéria, menos vibrátil, é menos dimensional.
É objeto.

Determinismo e liberdade dispõem-se em escala.

Os eventos materiais são previsíveis.
Para a matéria há determinismo.
Os eventos mentais são imprevisíveis.
Para a mente há liberdade.

A liberdade aumenta conforme subimos na escala vibratória.

O desejo é a faixa mais intensamente dimensional e livre.
Ela cria mais dimensões da realidade.

As vibrações menos intensas são mais objetivas.
As mais intensas são mais subjetivas.
As vibrações extremamente intensas são simbólicas.

As vibrações menos intensas são mais simples.
As mais intensas são mais complexas.

Tudo se deve ao crescente número de dimensões.
Os significados aumentam.

Dimensões são formas do espaço-tempo.
Na matéria as dimensões são físicas. São as medidas objetivas de comprimento, altura e largura.
Nas faixas seguintes as dimensões são mentais. Correspondem a significados.
A palavra ouro, no sentido menos dimensional do pensamento, refere-se ao metal. Na faixa da intuição, as dimensões da palavra ouro crescem. A palavra torna-se poética. Alude a prazer, transfiguração da consciência, ideal e mais significados ao infinito.
Quanto mais significados, mais artística a linguagem.

‘A água congela a zero grau’ é uma noção linear. O seu significado é objetivo.
A frase ‘O prazer cria-nos’ comporta mais subjetividade.
‘Verões nas Hespérides são longos ’ é poesia. Os seus significados são simbólicos.

A experiência simbólica é sempre maior em significados. Cada onda de pensamento pode corresponder a infinidades de ondas de intuição e de desejo.

Quanto maior a objetividade, menos distorção na experiência, pois a filtragem é menor.
Quanto maiores a subjetividade e o simbolismo, mais distorção, por se lidar com níveis mais complexos.
Noções sobre o transcendental, isto é, a realidade nos próximo planos, são em geral intuições e desejos extraordinariamente distorcidos e simbólicos.

A percepção é sempre mais linear.
Uma paisagem pode ter significados diferentes para cada pessoa, mas no sentido físico ela é basicamente a mesma para todas.
A afetividade já é mais subjetiva. Se o foco se voltar a um conteúdo simbólico intenso, o mesmo objeto pode ligar-se a experiências de afetividade bastantes diversas ou até contrárias.
O mesmo ideal pode elicitar fascínio ou aversão.

A matéria, por ser de determinismo máximo, presta-se ao conhecimento científico. Conforme vamos progredindo nas faixas, a ciência diminui a sua possibilidade de as compreender.
O foco da ciência é a matéria.
A filosofia tem foco no pensamento.
O misticismo na intuição.
A arte no desejo.
Isso é muito esquemático pois as ações humanas correspondem a todas as faixas. A ciência tem algo de intuição; na arte há pensamento filosófico. Mas existem focos.
O mesmo em relação aos organismos. Dizemos que há pessoas emocionais ou racionais ou intuitivas, embora os organismos vibrem todas a faixas.

Pela previsibilidade, diz-se que para a matéria a natureza tem leis.
A ciência procura-as.
Para o desejo não há leis.

O desejo move-nos a mais liberdade.
Por vibrar extremo, é muito filtrado pelas faixas anteriores e pode corresponder a medo e ser distorcido. Mas é sujeito sempre para os organismos.
Os seus focos são a transcendência e a matéria.

O desejo liga-se à transcendência porque é a faixa que já a toca. E ocorre sempre algo especial entre desejo e matéria, por serem as faixas que se unem ao constituir-se o Eu. Desejamos a matéria.

Na perspectiva de outro plano existencial mais intenso, o nosso desejo seria relativamente tão pouco vibrátil que os seus eventos corresponderiam a determinismo. Mas não para organismos com o foco centrado aqui.

Existência é-nos vibração mais consciente.
Essência é-nos vibração mais inconsciente.

A essência traduz-se conscientemente por formas.
Experienciamos formas.

Só há organismo com matéria.
Sem matéria não há experiência.

A matéria é-nos o ápice da forma.
O desejo, em níveis mais intensos e inconscientes, é-nos o ápice da essência.

O espaço-tempo ligado à matéria é objetivo.
Horários e distâncias, no sentido físico, têm significado igual para todos.
O espaço-tempo ligado a faixas mentais intensas é mais subjetivo. A partir da intuição, é todo abstrato.
Passa a tomar o sentido de duração.
A duração é simbólica.

Vamos agora ao foco da experiência.

Quando o organismo dirige a atenção a uma faixa, ele intensifica a vibração desta faixa.
As seguintes tornam-se momentaneamente mais expostas.
Mais ondas passam a coincidir.
Intensificar uma faixa corresponde a expor as mais intensas.

O mesmo se uma faixa for minimizada.
Não há paradoxo.
Já que o organismo mantém o seu nível vibratório total, quando uma faixa é minimizada as outras vibram mais intensamente por compensação.

Isso ocorre, por exemplo, ao sonhar-se.

No sono, as vibrações da faixa material diminuem. Minimizam-se. A parte física do organismo mantém-se em letargia. As outras faixas se exacerbam.
Como o organismo sempre experiencia em bloco as faixas, a mente ao desejar um objeto ou ao pensar nele, se estiver mais exposta também vibrará a sua imagem. É deste modo que durante os sonhos experienciamos objetos sem que eles existam exteriormente.
Estando a mente mais exposta, a experiência onírica é mais vívida. Os sonhos superam a intensidade da experiência em vigíla.
De acordo com o foco, os sonhos podem ser perceptivos, emocionais, intuitivos ou mais ligados ao desejo.
Pelo nível intenso das suas vibrações, os sonhos são primacialmente simbólicos. O seu simbolismo assemelha-se ao da poesia lírica.
O ponto é que uma faixa, ao vibrar, fá-lo sincronicamente com todas.
Se ao dormirmos surgir a experiência do medo, a memória associa-la-á à imagem de um tigre, por exemplo, e sonhamos ser atacados por um.
O estado nos sonhos é similar à superesposição por alucinógenos e aos delírios.
Por alucinógenos a experiência é em geral voltada ao transcendente. Os delírios acompanham-se do pânico, pois a exposição é intensíssima e as faixas pesam. Todos os delírios e alucinações são simbólicos.

Os sonhos nem sempre são considerados experiências mais intensas do que a da vigília porque não lidamos com os sonhos mas com a lembrança de sonhos. Ao acordarmos, volta a filtragem pela faixa material e passamos a esquecê-los. Primeiro esvaem os sons: os sonhos parecem-nos silenciosos. Depois as cores. Em seguida os contornos e as formas, de modo que nos são esmaecidos, penumbrosos e enevoados. Desaparecem então o conteúdo de afetividade e as outras faixas. Só se formos despertados durante um sonho ou se o seu conteúdo se ligar à extrema intuição ou ao extremo desejo, é que os retemos mais conscientemente.

Pode-se minimizar faixas pela criação de circunstâncias ambientais.
Aí a exposição é menos brusca e assimilada aos poucos e mais linearmente. A obediência, que é minimizar o desejo, e a escassez de estímulos físicos, mais os votos de silêncio e de abstinência do sexo, a clausura e a vida em sombras em mosteiros medievais é um exemplo.
Ao inverso, a intensificação de faixas estava no cerne de rituais festivos e cerimônias, nos estímulos físicos das litanias, do incenso e das cores. Os arraiais. Os carnavais. Esses são elementos para o transe. Orgias eram originalmente práticas religiosas.

A meditação é outro exemplo da busca do transcendental pelo manejo de níveis vibratórios.

Nela se percebe que tanto intensificar como minimizar faixas trazem exposição.
Medita-se de dois modos: ou pela focalização intensa do pensamento em um objeto ou no oposto, pela minimização do pensamento a ponto de se tentar suprimi-lo. Nos dois casos, a exposição conseqüente da faixa da intuição traria revelações sobre a realidade transcendente.

O extremo da vida ascética estaria na abolição do desejo.
A noção é lógica, pois se fosse suprimida esta faixa haveria uma exposição maciça de níveis transcendentes.
No entanto intensificar o desejo obteria o mesmo fim.
E não se pode suprimir nenhuma faixa. Pode-se apenas minimizá-la.
Para o desejo, a minimização extrema é paradoxal e impraticável pois minimizar o desejo é desejar e quanto mais intensa a minimização, maior teria de ser o desejo.

As posições existenciais de desvalorização e de exaltação da matéria, a vida ascética ou debochada, a austeridade e o hedonismo, igualam-se.

Sempre é o mesmo propósito: intensificar a experiência e transcender.
Mais do que exatamente a transcendência, é antecipar a felicidade e o prazer de experienciarmos maravilha.
E sonhá-la.

Vamos agora tratar da nossa experiência da morte.

Estaremos a sondar níveis demais vibráteis, que pesam. Mas podemos intensificar o desejo ainda que só no sentido da curiosidade, e barrar a filtragem que constitua preconceito, para o simbólico se nos tornar mais linear.

Bem melhor é se cogitarmos com o prazer e a beleza.

Morte é experiência de exposição maciça e intensíssima.

Descartamos radicalmente o nosso nível básico. O organismo passa de modo integral a um patamar mais intenso. É o seu próximo plano existencial.

O nível vibratório consciente cresce.
Toda a experiência se intensifica pois agora a faixa básica vibra mais do que a anterior e filtra menos todas as outras.

O descarte do nível básico, a nossa faixa chamada o corpo, é fácil.

Estamos continuamente morrendo e renascendo.

Incessantemente descartamos vibrações materiais e as substituímos.
Mudamos de físico e de idéias. De intuições e desejos.

Isto assoma sempre e mais.
Vamos incorporando e criando níveis mentais mais e mais vibráteis, até que o material não mais os sustenta e precisamos de uma faixa básica mais vibrátil para os conter. Precisamos de um plano existencial mais intenso. A filtragem exercida pelo anterior já seria entrave.
O organismo rejeita o plano em bloco. Quer mais experiências.
Níveis intensíssimos do desejo agem, mesmo aparentemente contra o nosso desejo consciente.

Morrer é tornar consciente o próximo plano existencial.

A experiência, embora extrema na perspectiva do nosso plano, na perspectiva do próximo é banalíssima.

Pode ser divertida.

O ponto é que é um evento orgânico. Natural.

A alegoria mais aplicável é a da serpente.
Prende em uma fenda a cauda.
Move-se.
Sai da sua pele. Sai completa. Com a sua pele.
A pele descartada era parte da serpente até ao momento do descarte.
Durante todo o caso, a serpente jamais deixa de ter pele. Sempre é um organismo completo.

Descartamos o nosso corpo e jamais deixamos de ter um corpo.
Somos sempre um organismo completo.

A sensação não é a de que somos uma alma a sair de um corpo. Somos nós, sempre corpo e alma, que sentimos ser descartada a faixa básica anterior.

Somos sempre materiais.

E mais intensamente materiais. Estamos em hipervigília e hiper-alertas, pois a exposição mental é maciça.

É perfeita a nossa continuidade existencial.

O corpo concreto é percebido no decorrer de todo o evento.

Não adquirimos um novo corpo no próximo plano. Já o somos agora.

Ele é formado de vibrações mais intensas da nossa faixa material, que estavam filtradas pelos níveis menos intensos da própria faixa e portanto não eram físicos.
É só quando a vibração anterior, que corresponde a átomos, é descartada, que o corpo mais intenso, que também corresponde a átomos, torna-se experienciável.

Só o nível básico da faixa material é que é físico.
Os seus níveis mais intensos são sempre filtrados pela base da própria faixa.
Portanto não estamos fisicamente agora como um duplo no próximo plano existencial, embora haja vibrações que se aproximam. Essas vibrações só se tornarão materiais quando totalmente expostas pelo descarte do nível anterior. Agora, são mentais. São parte do nosso organismo e pertencem a nós, não ao ambiente de um próximo plano. Até se objetivarem, são imateriais mesmo para organismos em planos mais vibráteis.

Para sermos explícitos, aqui vale esta observação.

Como as faixas se dispõem quais as camadas de elétrons em torno do núcleo atômico e há superposição entre o limite superior de uma faixa e os inferiores das próximas, a base da percepção de quem está nos próximos planos filtra níveis energéticos intensos nossos.
Assim é que as vibrações que formarão o nosso corpo no próximo plano são agora invisíveis objetivamente lá.
E é por esta condição que as vibrações materiais mais intensas que formam o ambiente do nosso plano também não estão a vibrar no próximo. Se estivessem, o outro plano teria de ser, ponto a ponto, uma cópia do nosso.
Pessoas em planos mais intensos percebem-nos, pois a sua percepção é mais intensa, mas percebem-nos mentalmente. São experiências subjetivas, não objetivas, da percepção. Como a sua percepção é mais intensa, a sua subjetividade supera em precisão a nossa objetividade.

As faixas básicas de todos os planos são fisicamente distintas. São a base de cada plano e é assim que se dá a divisão física do Universo em planos.
As mentais, não. Quanto mais intensas as faixas, mais elas perdem o sentido físico de localização.
Fisicamente os organismos estão em planos materiais diferentes.
Mentalmente formam uma área que se pode considerar comum.
Se dois organismos, em planos físicos diferentes, tiverem uma mesma idéia ou uma mesma intuição, essas idéias ou intuições estarão no mesmo âmbito, obviamente o mental.
As faixas mentais pertencem a cada organismo, pois os formam, mas identificam-se entre os organismos. E sendo subjetivos o espaço e o tempo mentais, jamais há sentido em se dar às faixas mentais uma localização física. Em certo aspecto, não de todo metafórico, somos organismos diversos no aspecto objetivo e um organismo único quanto mais no âmbito essencial.
É neste sentido que se pode entender o termo humanidade.

Já que o nível que será no próximo plano o nosso corpo já é agora parte do nosso organismo, ele não só corresponde à nossa aparência aqui neste plano como é mais coerente com as nossas faixas mentais mais intensas. Como no próximo plano há menos defasagem entre a forma exterior e as mentais, a nossa aparência nos planos mais intensos será mais fiel ao que intuímos ser o nosso Eu.
Para termos uma idéia, embora filtrada e portanto aproximada, de como será o nosso corpo no próximo plano, basta visualizarmos o nosso corpo mentalmente. A imagem, agora subjetiva, corresponde à forma do nosso corpo que será objetivo.

A situação de o organismo ser sempre corpo e alma e manter a identidade do Eu tem analogia com a música.

Podemos espelhar o Universo e o organismo em seqüências de notas musicais, dó, ré, mi, fá, sol, lá e si. Elas soam em uma oitava, com a sua identidade e relações harmônicas. Ao subirmos para a próxima oitava elas continuam as mesmas, dó, ré, mi, fá, sol, lá e si. Mantêm a sua identidade e relações harmônicas e vibram mais intensamente.
Cada plano existencial seria uma oitava. O Universo, a escala cromática.

A história do organismo é igualmente comparável a uma melodia tocada em tons diversos, do menos ao mais vibrátil.
É a mesma melodia.
Soará diferente. Mas é a mesma sempre.

É natural falarmos mais extensamente do descarte do corpo, por ser notório, mas ao morrer-se sempre ocorre, não radicalmente como no caso do corpo, o descarte de níveis mentais. Este é de menor amplitude, são resíduos mentais filtradores e que em geral correspondem a preconceitos, mas para o organismo poder objetivar níveis mais vibráteis, o que faz parte da própria experiência de morrer, é necessário que esses níveis mentais menos intensos sejam descartados.
O mais importante na nossa experiência no caso da morte não é o descarte da faixa menos vibrátil. O que importa e nos preenche a consciência é a assimilação dos níveis mais intensos.

De modo esquemático: passar ao próximo plano é objetivar certas partes antes subjetivas.
Entretanto a capacidade de abstração aumenta, pois se intensificam os níveis mentais.

Todos.

É a própria vida material que se intensifica, pois estando mais exposta a percepção, as experiências físicas crescem.

A dança continua. Aceleradamente bela e livre.

Vamos agora acompanhar a experiência da perspectiva de quem morre.

Para quem observa o evento no nosso plano existencial, um organismo ativo passa para o estado inerte.
Daí as metáforas do descanso e do sono para a morte.
Concretamente essa pessoa era o corpo. É imediato supor-se que se algo sobrevive, forçosamente há de ser incorpóreo.
Na perspectiva de quem experiencia o processo, o corpo torna-se mais ativo. O organismo passa a perceber objetivamente o próximo plano.
A experiência é geralmente a de euforia.
Não pela surpresa, pois as faixas mais vibráteis sempre inconscientemente faziam a pessoa intuir ser imortal. A euforia se dá por constatar objetivamente e concretamente a eternidade.
Pode-se, sim, chorar de felicidade, de alegria e de prazer.

Tendo-se dado isto, continua a vida.

Sempre naturalmente.

A situação descrita acima é idealizada. É o padrão.
Todas as condições de experiência humana, todos os estados de afetividade, inclusive angústia, apreensão e medo, podem ocorrer. De qualquer modo, ao objetivarmos vibrações mais intensas durante o processo, passamos a experienciar contentamento.
Como os níveis objetivados já eram inconscientes no organismo, o próprio evento da morte, ao desenrolar-se, dá a compreensão necessária sobre ele mesmo a quem está a experienciá-lo.
Além disso, rarissimamente é um evento solitário e não surgimos no próximo plano a esmo, como se fôssemos uma aparição. O próprio desejo sabe onde vamos estar. Pessoas lá nos conhecem. Tivemos as nossas relações aqui neste plano. Há afinidades. Há os que amamos e nos amam e acompanham-nos. Há os que nem conhecemos e nos amam. Esperam por nós. Recebem-nos.

Os próximos planos existenciais são humanos.
Têm a sua História. Geografia.

Quando ainda se admite haver matéria nos próximos planos, imagina-se que ela seria algum tipo de matéria sutil, rarefeita ou em estado plasmático, isto é, sem forma.
Também se crê que os planos se tornam progressivamente imateriais até à imaterialidade absoluta.
É notório que são idéias devidas à filtragem e que a nossa filtragem é maior conforme mais intenso o plano intuído.
Se houvesse um plano menos vibrátil do que o nosso, as pessoas lá nos imaginariam como seres etéreos em um ambiente etéreo.

A matéria nos próximos planos não é sutil.

Ou não mais do que a matéria neste nosso.
No interior de um átomo, o espaço não-material é mais amplo do que o material. A comparação é que se o núcleo atômico fosse uma moeda no pavimento de uma catedral, a primeira camada de elétrons vibraria na altura do teto.
O nosso corpo parece maciço pela impenetrabilidade somada à nossa sensação de solidez. Considerado na perspectiva atômica, um bloco material é uma nuvem de partículas.
Pela solidez que percebemos da matéria, o descarte do corpo parecer-nos-ia uma experiência sensorial vastamente significativa.
Mas sendo em termos vibratórios mais intensa a matéria nos próximos planos, o descarte do corpo anterior é praticamente sem significado em percepção tátil. E é também fácil compreendermos que não perdemos a sensação de termos continuamente um corpo. Durante a morte, ao contrário, sempre nos cresce a nossa sensação da matéria.

Átomos que formam uma paisagem já nos formaram ou nos formarão.

Outra noção pela filtragem é a de que somos deveras uma alma, e não matéria, porque naturalmente dizemos que temos um corpo. Não dizemos que o somos.
O ponto é que também dizemos que temos uma alma.
Compreende-se nisto que não temos este corpo material para sempre: obviamente ele volta a vibrar como faixa do ambiente. Perene teria de ser só a alma.
Mas como já observamos, também vamos descartando a alma. Vamos substituindo as suas vibrações.

Perene é o Eu.
É o que faz corpo e alma, cresce em intensidade, e assim, em sentido aparentemente paradoxal, faz que ao mesmo tempo sejamos e não sejamos.
Jamais somos o mesmo, pois as nossas vibrações são o espaço e o tempo num fluxo incessante.
No entanto sempre somos os mesmos porque o Eu é a identidade incessante.
É a forma do anel.
É o núcleo em torno do qual os níveis vibratórios giram.

A própria memória é recriada constantemente no espaço-tempo.

A noção de que a alma é algo indefinido a pairar sobre o corpo tem correlato na de que os próximos planos são algo indefinido a pairar sobre este.
Não é isso.
A faixa material implica localização. Estabilidade.

Para sermos humanos e estarmos em uma condição humana precisamos de uma forma definida. Pisar um solo. Tocar em outros seres humanos. Se flutuássemos no ar já seríamos outra coisa. É precisa a gravidade. Uma estrutura planetária.

É nessa estrutura que estaremos, e na Terra.

Estaremos com o mesmo Sol e a mesma Lua. Ao mesmo tempo serão o Sol mais real e a Lua mais real porque mais vibráteis.

Os próximos planos existenciais são a Terra intensificada mas não estão agora, invisíveis, a se interporem no nosso. Essa noção seria inexata porque estaríamos a encaixar níveis mais vibráteis, portanto mais dimensionais, em um nível menos intenso.
Há continuidade entre os planos. Mas não se pode, daqui do nosso plano, falar de uma relação física com o próximo, pois a sua faixa física nos é mental. Só na perspectiva do outro plano é que é compreensível esta relação.

Pela continuidade dos níveis vibratórios, quanto mais próximos os planos, mais semelhantes.
O próximo plano existencial está tão próximo do nosso, que as semelhanças são mais notórias do que as diferenças. Um plano inconcebivelmente mais vibrátil só nos teria agora um sentido simbólico.

No entanto a existência é contínua.
Plano a plano a nossa experiência será sempre natural porque seremos sempre mais capazes de passar a viver toda a realidade mais linearmente.
O simbolismo dilui-se, não cresce, quanto mais intensamente vibrátil o plano.

Em um plano tão intenso que nem um só dos seus significados básicos nos tivesse agora sentido; onde as experiências a que chamamos vida e o Ser chegassem a tão reais a ponto de ultrapassarem as nossas convenções sobre a realidade; um plano onde infinito, o corpo e a alma representassem completamente outros significados e tais que poderíamos considerá-lo um plano de experiências pós-humanas, jamais estaríamos em estranhamento. Sempre a continuidade da experiência, de um plano existencial para outro, em eventos semelhantes a mais mortes, faz o cosmos constantemente natural para nós.

Foi o nosso caso aqui neste plano existencial.

Nascemos ainda a formar os nossos níveis menos vibráteis da percepção. As faixas seguintes estavam mínimas. Éramos um dínamo de matéria e memória física. Gradualmente o pensamento passou a desenvolver significados para a experiência. Assim, jamais nos houve estranheza.
Tudo é tão gradual que não nos surpreendemos pela existência do Universo e por termos vindo a existir.

Para não nos limitarmos ao pensamento quanto à materialidade dos próximos planos, vamos fantasiar a nossa experiência objetiva neles:
Se tocarmos agora as mãos uma na outra, perceberemos solidez. Se tocarmos no ambiente, este livro, por exemplo, perceberemos a mesma solidez porque tanto nós como o ambiente somos formados do mesmo nível de vibrações.
Elas são impenetráveis.
Nos próximos planos as vibrações ambientais têm o mesmo nível das do nosso corpo. Se nos imaginássemos nestes planos, perceberíamos a mesma solidez em nós e no ambiente.
A mesma impenetrabilidade.
Se feridos por um objeto cortante, sangraríamos.
A diferença é que nesses planos a experência seria mais intensa porque estaríamos mais vibráteis. Mas pela exposição geral, a intensidade maior seria vivida com a naturalidade do plano anterior. Com uma ressalva: estando a mente mais vibrátil, teríamos mais noções sobre a própria matéria. E no sentido essencial. Este aspecto raramente vivemos aqui.

Os planos existenciais, em si, não se tornam mais reais por serem mais vibráteis.

Tudo é real. Tudo é a substância e ela é igualmente real não importa em que nível. Nem há sentido em a adjetivar como real pois a substância é o real.

A nossa experiência é que pode ser considerada mais real quanto mais o desejo consciente e o inconsciente se espelham.
Alternamo-nos relativamente: tornamo-nos menos ou mais reais de acordo com a nossa maior ou menor distorção dos níveis mais intensos.
É-nos impossível julgamentos no sentido cósmico.
Para a prática, talvez valha considerarmo-nos mais reais se diferenciarmos o objetivo do subjetivo.

Como só temos a realidade das nossas experiências, e como de plano a plano elas se ampliam, cabe dizer que nos tornamos mais reais.
Cabe também dizer que o Universo se nos torna mais real. Em termos, pois real é sempre o que sentimos que somos.

Assim, não há sentido em desvalorizar o nosso plano existencial como se isso nos preparasse para o próximo.
Primeiro porque a nossa existência é o nosso nível consciente, que é para nós a vivência do todo. O pré-consciente vale-nos, mas o francamente inconsciente nem nos teria sentido. Segundo porque nós, sempre, é que construímos a nossa existência. Somos nós, pelo desejo, que vamos criando os nossos planos existenciais.
Nenhum organismo está em um plano que ele não deseje. Nenhum estará em um plano onde não deseje estar.

Precisamos de uma estrutura planetária e de um ambiente que propicie a existência humana. Precisamos de relações, de outras pessoas, para irmos construindo a intensificação das faixas. Esse trabalho é conjunto.

Precisamos ser um organismo para sermos.

Para experiências humanas precisamos de uma estrutura humana: mãos, face, pênis, vagina, tórax, pés. Precisamos de fisionomia. Precisamos de uma expressão objetiva, externa. Se sobrevivêssemos só imaterialmente, apenas como pensamento a pensar sobre o pensamento, se fôssemos uma faixa a remoer a memória da vida anterior, que seria a verdadeira, não só cessaríamos de ser humanos como esse pensamento nem teria no que pensar, pois o pensamento é experiência e necessita de uma realidade completa para poder fazer-se.
Para haver imortalidade pessoal, para que o Eu possa experienciar-se pela eternidade, o Eu tem de existir completo, não parcialmente.
Se há sobrevivência do Eu, então é preciso haver o Eu.

Imortalidade física.

Vamos tomar como exemplo a percepção.

Mencionamos que objetos trancados em um quarto, sem alguém presente, não teriam cor, sabor, odor e não produziriam sons. Nem seriam algo, pois o que consideramos algo requer um conceito. Seriam apenas a substância a vibrar.
É a percepção que nos faz experienciá-los como objetos coloridos, sonoros e com as demais propriedades chamadas físicas, que de fato são mentais.
No entanto a percepção só experiencia essas vibrações porque elas existem. É o modo de a realidade, a própria substância, neste nível vibratório, experienciar uma parte de si mesma. Se não houvesse a parte material, não haveria percepção de nada. Não existiria percepção.
É fácil estender esse raciocínio e compreender que assim como sem matéria não haveria percepção, sem percepção também não haveria memória, desejo nem pensamento.
Sem matéria não haveria vida mental.

A matéria é a base da realidade.

Nela é que se objetiva a mente.
Ação é carne.
Realizar é concretizar na faixa material do organismo e na do ambiente.

Toda realização se expressa fisicamente. Todas as obras de arte requerem um veículo material. Todos os ideais se realizam por meio da expressão concreta.
Materializar-se significa passar a existir.
A comunicação entre organismos dá-se por palavras e mais códigos auditivos, além de códigos visuais e táteis.
As linguagens são físicas.
A esperança não é só uma abstração. É um estado no qual todas as faixas do organismo vibram esperança e o organismo literalmente é esperança.
Os verbos, as palavras, são carne.

Sendo humana a experiência nos próximos planos e como os organismos são completos, é natural que se reproduzam. Há concepções e nascimentos.
Por que os organismos surgiriam exclusivamente no nosso plano existencial?
Nascimentos em outros planos não seriam menos naturais e mais enigmáticos do que nascimentos neste nosso plano.
Esta noção se aplica aos próprios planos:
A existência de outros planos não é mais enigmática e menos natural do que a existência deste.
Isto corresponde a outra noção:
O fato de existir este plano não nos permite afirmar a existência de outros.
Mas já que este nosso plano existe, se na estrutura cósmica é possível ele existir, é impossível negar-se que outros possam existir.

É facílimo notar que os planos existenciais mais intensos, pela nossa filtragem, surgem no imaginário como uma realidade abstrata, imprecisa e simbólica.

À parte o efeito imediato, lógico e principal de que são imateriais, eles representam-nos mundos de sonhos. Mas sonhos após a filtragem.
Parecem-nos silenciosos. Sem cores e sem contornos. Sem forma. Umbrosos e em névoa. Mundos de sombras. Irreais ou certamente menos reais do que o plano anterior.
Como a nossa experiência do desejo está focalizada no nosso plano, supomos que os próximos são lentos ou estáticos e que neles nem se age. Imaginamos serem mundos de contemplação. Neles, qualquer sentido de contemporaneidade ou progresso nos parece implausível. Imaginamo-los como planos desolados, enquanto a vida efetiva estaria no nosso.
Nos outros haveria repouso. Ou angústia, por se arcar eternamente com uma semi-existência. Todos os propósitos seriam baldios, pois não se concretizariam. Até se para esses planos admitirmos o desejo, ele parece mais lento e com menos dimensões.
Existir seria decepcionante.
Viver é sempre desejar.
Antecipamos o desgosto por uma vida sem significado e sem propósito.
Como sempre intuímos algo real, às vezes temos desses planos idéias incoerentes. Imaginamos sociedades arcaicas e hierarquizadas, antiquadas inclusive no vocabulário e nas vestes, mas conscientes da modernidade no nosso plano; pessoas nesses planos, ao mesmo tempo em que conheceriam verdades cósmicas extremas, desconheceriam fatos banais de um plano anterior.
Parecem-nos planos de semiconsciência. Melancólicos e ermos.
Sendo-nos aqui a vida real e completa, supomos que a realidade só tem significado aqui. Os próximos planos existenciais seriam um apêndice do nosso ou um suplemento estagnado.

É bom pôr logo isto e abrupto:
As pessoas nos próximos planos existenciais são mais espertas do que nós.
E mais vivas.

São mais conscientes dos seus níveis mais intensos e expõem-nos com menos distorção. Sabem mais o que querem. Não se desgastam com conflitos internos porque as faixas orgânicas se harmonizam mais. Têm mais conhecimento. Concretizam o desejo mais eficazmente porque não têm entraves menos vibráteis. Vivem melhor.
Vibram mais. Agem mais.
Sem medo.
Percebem mais conscientemente os planos menos intensos e intuem melhor os mais intensos.
Criam liberdade.

A ação está lá.

Como são esses planos existenciais?
Modernos.

Vibram sempre além e à frente de todos os aspectos que seriam considerados atualidade nos planos existenciais anteriores.

Se buscássemos ser específicos quanto ao seu cotidiano, passaríamos a distorcer o relato ou teríamos de tomar símbolos por fatos objetivos. Isso seria irreal.
O primordial é compreender-se que nesses planos a experiência da matéria, da memória, da afetividade, do pensamento, da intuição e do desejo são mais intensas e mais reais.
Mais reais no sentido de que são menos distorcidas e mais abrangentes.
O consciente expande-se.

Por que etapas? Por que as pessoas não surgiriam já vibrando conscientemente o infinito da experiência?

Não há resposta mas podemos supor.

Não estamos no Universo mas somos o Universo. A substância cria a experiência mas não está à parte.
Nós somos a substância.
E o vibrar da substância.
Se todos os níveis se criassem independentemente de nós e apenas os assimilássemos, a liberdade ser-nos-ia pré-existente e preconcebida. E contradição em si. Seria sempre determinismo. Jamais liberdade.
As faixas não progridem no sentido de atingirem uma perfeição antes potencial. Se fosse assim, todo o futuro já estaria contido nas faixas anteriores e só haveria destino.
É óbvio que os níveis imediatos de liberdade, os que vibraremos neste plano e nos próximos, já existem em essência. Mas é o consciente que lhe dá formas. É uma liberdade criada por nós, e também assimilada de outros organismos.

A substância não é um campo preparado sobre o qual deslizamos mas criação de desejo que se torna infinita e somos nós.

Experienciamos só o consciente.
O não-consciente, principalmente níveis inconscientes no desejo, é sujeito e dirige as nossas ações.
Mas o consciente não é um autômato do inconsciente.
A essência cria a experiência. Simultaneamente o oposto ocorre. A experiência cria a essência.
Quanto mais intensificamos a experiência, mais criamos níveis essenciais.

Essência e existência são a substância.

Cosmicamente, existência é essência. Essência é existência.

O desejo é contínua criação.
O transcendental cria-nos e criamos o transcendental.

Desejar pode ser uma forma de conhecimento.

Como o desejo é a faixa que toca o transcendente, as suas vibrações mais intensas, embora simbólicas, podem espelhar a realidade transcendental.
É o caso com o desejo de sermos imortais com matéria.
Se nos fosse dado determinar qual seria o nosso futuro, escolheríamos a imortalidade, não a extinção. E para a imortalidade escolheríamos ser materiais.
Imortais de verdade.

Este desejo se expressa simbolicamente.
Um dos símbolos é a noção de que teríamos mais vidas por encarnações sucessivas neste nosso plano.
Aqui é notória a idéia de que a vida real requer matéria. Como a filtragem impede concebermos matéria nos próximos planos, transferimos para este a condição da nossa eternidade.
Outra forma de desejo, e a radical em termos de que a nossa eternidade é com matéria, está no símbolo da ressurreição.
Diz-se ressurreição da carne.
Não da alma.
É explícito.
Da carne.
É a carne que ressuscita.
A filosofia patrística e a escolástica afirmam diretamente que a eternidade é material. As asseverações são lineares. Eis algumas. A pessoa completa é formada de corpo e alma e a imortalidade é para a pessoa completa, não parcial. A vida sem matéria seria semivida. O ser humano foi criado na carne para viver na carne e ser eterno na carne.
Interessantíssimo é o ponto de que até ao momento da ressurreição a alma permaneceria em inconsciência ou sono. Ressuscitar seria despertar.
Isto marca a intuição de que a vida só é natural em matéria.
Argumenta-se também que a ressurreição ocorreria exatamente durante a morte. Em um novo corpo, dito glorioso. Isto é, perfeito.
Este imaginário, pela filtragem, fica ao abandono.
Sendo impossível os corpos neste plano reanimem-se, afasta-se de pronto a intenção de análise: a ressurreição, linearmente, é uma impossibilidade. Por a idéia não ser posta como símbolo, mas como a descrição do impossível, é desconsiderada.

Pessoas que passaram por experiência de quase-morte referem a exacerbação maciça da memória. Mais do que lembranças, há revivência.
É o efeito imediato da descompressão da memória, a primeira faixa a expor-se, por ser a mais próxima do nível básico anterior.
Há também a percepção de luminosidade intensa, qual à que se tem ao sair-se de um túnel.
No suceder da experiência, vêem-se na companhia de conhecidos. Daí surgem imagens francamente simbólicas.
Esses efeitos se dão porque ainda havia filtragem.
São experiências de quase-morte. A faixa básica não fora descartada mas minimizada. Se a nova faixa material tivesse sido de fato objetivada, o organismo assimilaria a intensificação da memória de modo natural, sem fluxo tão intenso. O ambiente pareceria ter luminosidade natural. As experiências simbólicas, quase de aspecto alucinatório, seriam lineares e objetivas.
Nesses relatos, os acontecimentos descritos são sempre físicos. O retorno da filtragem leva o consciente a considerá-los imateriais.
Há casos em que é explícita a alusão à matéria. Mas este aspecto é sempre ignorado pelo imaginário no nosso plano.

Também os relatos visionários sobre os próximos planos descrevem experiências materiais. Entretanto a filtragem nos faz tomá-las como imateriais.

Como os planos existenciais são contínuos, as vibrações mais intensas do pensamento em um plano e as menos intensas do pensamento plano seguinte têm pontos em comum.
Para organismos em um plano mais intenso, esse nível do pensamento é objetivo e sem distorção. No nosso caso, é subjetivo e impreciso. Simbólico.
Ao pensarmos em uma pessoa nestes planos, esta pessoa saberá que estamos a pensar nela. Assimila-nos nitidamente.
Para a via oposta, precisaríamos estar ao mínimo sob vibrações extremas de percepção. Esvaziar os nossos pensamentos, para eles não interferirem. O contato surge na forma de intuições e símbolos.
Mas analisam-se os símbolos. E tudo é probabilidade, não certeza.
No caso de uma intuição marcantemente real, o organismo sente que expandiu. Sobrevém-lhe um estado mesmo de euforia e idéias surgem em fluxos.

A experiência é análoga a práticas de meditação em que o organismo objetiva níveis mais vibráteis do seu próprio pensamento.

O organismo diferencia as duas experiências.

Já que ampliamos o consciente, podemos ser levados a considerar indesejável a filtragem.
Mas tanto a filtragem como a exposição se ligam ao menos ou ao mais real. A filtragem excessiva reduz o foco e distorce significados, mas a exposição excessiva faz que não diferenciemos o simbólico do linear.
O que vale é expandirmos o consciente na forma mais real.

É neste sentido que o medo pode ligar-se ao real ou ao irreal.
O medo é trágico pois nos tolhe e detém a expansão. No entanto recear a morte talvez seja o fator básico para experienciarmos integralmente este nosso plano. Caso contrário, sempre o desvalorizaríamos. Jamais expandiríamos. Ficaríamos à espera de outro plano mais vibrátil que jamais nos viria porque os planos não nos são dados. Nós construímo-los. São essencialmente criados por nós.

Aqui.
Agora.

Talvez por intuirmos que somos imortais, a questão da morte não nos afeta constantemente.
Sobre a morte fazemos piadas.
Nem nos importamos tanto. Até nem nos lembramos da morte. Vivemos como se fôssemos imortais precisamente porque os nossos níveis mais vibráteis sabem que somos imortais.

O ideal materialista da extinção pode ser mais real do que o da imortalidade.
Se a noção da vida infinita se acompanhar de aspectos irreais de medo, opressão e dogma, descartar completamente a idéia pode ser útil. O que nos interessa é expandir a mente. Quando rejeitamos o que a restringe, estamos sendo mais reais.

No entanto desejamos. Queremos saber. De todo o modo vamos equivocar-nos. É prosseguir.

Extinção, sobrevivência em espírito, sobrevivência completa.
São idéias.

E as possibilidades são só essas três.

Preferimos uma. Elegemo-la como a mais plausível de acordo com as necessidades da nossa vida. Mas para elas jamais teremos aqui evidência objetiva. São para nós aspectos mentais.
Sempre optamos pelo que nos parece o mais real.

Este relato é uma tese.

É uma aventura da liberdade de pensar.

É opinião.

Acredito firme em tudo que está aqui.
Mas não pretendo que seja considerado verdade. E ainda que estivesse certo no fundamental, haverá partes equivocadas.

Os termos aqui são válidos para o conjunto dos seus próprios significados. Poder-se-ia usar a palavra movimento em vez de vibração. Poder-se-ia usar outros símbolos verbais. Mas o fenômeno ainda seria o mesmo.
E talvez esta descrição, por meio destes termos, seja toda imprecisa.
Não é absurda.
Ainda que o fosse, não importaria. Os eventos físicos, a despeito da descrição ou da compreensão que deles tivermos, ocorrem.
As explicações para a gravitação dos astros são substituídas por outras mais abrangentes. No entanto, independentes da explicação ou da teoria, sempre os astros se movem.

Provas são objetivas.
Jamais teremos instrumental de laboratório para sondar a matéria dos próximos planos. Seria preciso construí-lo com a matéria desses planos para não os filtrarem.
O fenômeno aqui descrito é físico na perspectiva dele, não da nossa.
Estamos a desejar. E procurando fundamentar este desejo.
Os pontos desta narrativa podem vir a ser negados. E seria bom se o fossem, desde que por idéias mais abrangentes e mais coerentes.

O que nos vale é sondar o desconhecido. Isso nos faz humanos.

E o desejo leva-nos a mais questões. A primeira parece um jogo de palavras e toca-nos às vezes arrebatadoramete.

Por que existe o existir?
Por que há coisas em vez de nada?
Por que existimos?
Por que há realidade?
Por que existe o Universo?
Por que o Universo é estruturado da maneira que é?
Seriam possíveis universos, no plural? Há outros cosmos estruturados de outra forma que não matéria e mente? Ser-nos-iam sempre incompreensíveis? Em séries infinitas?
Qual é o significado, para o Universo, de ter surgido especificamente o nosso Eu?
Por que estamos na Terra nós e não outros eus?
Que é o Ser?
Por que a experiência não se constitui de mais qualidades?
Por que não experienciamos faixas radicalmente diversas?
Em um nível inconcebivelmente mais intenso vibraríamos experiências qualitativamente diferentes? Poderíamos considerá-las, pelo menos simbolicamente, experiências pós-humanas?
Experienciaremos o que transcende o desejo?
Por que nos apaixonamos?
Por que o sexo nos é o prazer mais intenso?
Haveria experiências que ultrapassariam o amor, o conhecimento e a liberdade?

Mas por quê? Por que existe o Universo?

Costumamos dizer que tais perguntas não têm significado. Portanto nem há por que as fazer.
Rejeitá-las pode ser um modo de nos desenvencilharmos de pontos que abalam o nosso orgulho. Essas questões não têm agora respostas.

Têm sentido, sim. E são importantes. Podem ser as primaciais.

Cogitar o incogitável talvez nos faça transcender.

Não encontraremos respostas objetivas, apenas símbolos, mas a realidade é também simbólica e com essas questões pode ser que estejamos a construir níveis mentais mais intensos. Essenciais. Que eventualmente terão uma forma.

É impossível, no nosso nível existencial, asseverar se há ou não há mortes precoces ou tardias, acidentais ou provocadas. Estaríamos a transferir a noção de causa, que é objetiva, para o âmbito cósmico. Afirmar a este nível estaria além de possibilidade inclusive simbólica.

Esta narrativa até agora se absteve da ética.

Ela não é necessária para o discutido. A vida material nos próximos planos existenciais é um evento físico. A ética é-lhe dispensável.

Mas somos humanos. Sempre queremos para a experiência humana um sentido maior e melhor.
E ético. Cogitar sobre o existir é procurá-lo.

A ética liga-se ao extremo do desejo e visa ao transcendente.

Vamos agora a sondar.

Ética seria a atitude sobre o existir que fizesse o maior número de pessoas serem felizes.

O problema é que a ética perfeita requereria um conhecimento completo da realidade. Não o temos. E a realidade está a ser feita. Não temos sequer um conceito unânime sobre a felicidade.

Suponho que a Terra ideal seria aquela em que cada um procurasse ser feliz à sua maneira e deixasse os outros serem felizes à sua maneira.

As éticas, já que seriam um princípio geral, são impostas e baldias. Mantêm-se como dever, o que é desagradável. Ou pelo medo. E não resultam, porque o organismo sempre age de acordo com o seu nível vibratório, ao qual todo entendimento obrigatoriamente se liga.

Para o extremamente transcendental não sabemos mesmo nada.

Não se sabe por que o sofrimento é parte da realidade.
Procura-se justificá-lo por dois argumentos: sofrer tornar-nos-ia mais conscientes e tem de existir porque o Universo é o todo e sem o sofrimento o Universo seria incompleto.

Nenhuma pessoa se importaria se o Universo fosse incompleto, desde que ela não sofresse.

O sofrimento talvez seja necessário.
Poderia ser aprendizagem.
Mas sê-lo-ia?
Nem sempre quem sofre aprende. É mais provável que até distorça mais a experiência. É provável que faça outros sofrerem. Aprende-se, e demais, com o prazer.

A dor mental tem paralelo com a dor física.
A dor física é uma indicação do organismo para ele próprio de que algo físico não está bem e precisa ser observado. A dor mental pode ser igualmente um sinal do organismo para ele próprio de que algo mental não está bem e deveria ser observado.
Em geral sofremos porque não concebemos significados no que estamos a passar.

Mas ainda que fosse útil, o sofrimento não é uma posição ética porque quem o defende, fá-lo em relação a outros. Para si, só o evita. Portanto não pode ser proposto como um princípio geral.
E se for útil, inevitavelmente implicará que quanto mais sofrimento na Terra, melhor tudo estaria.

Maior a felicidade, melhor a Terra.
A ética é precisamente para abolir o sofrimento, não para o apoteotizar.

Quanto à crueldade: se o sofrimento fosse útil, provocá-lo seria útil.
A crueldade seria desejável.
Estaria na classe de aspectos considerados o bem.

Talvez a crueldade seja útil.
Isso não se sabe.
Mas o que sei é que não quero crueldade perpetrada a mim. Por mais que uma pessoa advogue a crueldade, ela fá-lo em relação às demais. Sempre a rejeita para si. Não pode ser um princípio geral.

Como a existência se faz da expansão da experiência, podemos considerar éticas as noções para a maior expansão do consciente para o maior número de organismos.

Apesar da nossa ignorância, podemos sempre cogitar.

Três aspectos são universais.

A liberdade, o amor e o conhecimento.

São felicidade.

E notamos que estética e ética se identificam.

As formas de conhecimento, amor e liberdade exprimem-se em beleza.

São auto-evidentes se considerarmos o oposto: a opressão, o ódio e o desconhecimento.
Aí é óbvia a restrição do consciente.

O desconhecimento jamais se ligaria à felicidade, a não ser se estagnássemos.
Conhecer pode de início significar angústia. No entanto foi expandido o consciente. Depois de expandido, lida-se melhor com a dor, o que não é o caso com o desconhecimento.

O ódio difere da ira. A ira é uma explosão de afetividade. É emoção. É exacerbação de sentimento. É construtiva. Geralmente é reação a um fato que impede a expansão do consciente.
Ódio é o oposto. É estreitamento. O objeto do ódio passa a ocupar todo o campo do consciente e no sentido de o destruir.

A opressão é dor. É sempre entrave.

Sem liberdade, conhecimento e amor, sofremos.
As formas de amor, conhecimento e liberdade são prazer.

Os três fatores tendem a ser essencialmente iguais.

Liberdade é amor e conhecimento.
Conhecimento é liberdade e amor.
Amor é conhecimento e liberdade.

Vamos confundir-nos. Vamos enganar-nos. Vamos sofrer. Mas nem tanto se um nos vibrar os outros.

Damo-lhes formas.
Vivemos formas de amor, conhecimento e liberdade.

E os três estão aqui como noções indefinidas e assim é o melhor. Em essência. Se formas de amor, formas de conhecimento e formas de liberdade fossem propostas, estaríamos restringindo o infinito.

E precisamente pela liberdade, o conjunto não pode ser sistematizado em um princípio.
Este aspecto é essencial.
Não implica dever. Nem de se seguir nada.

Ao contrário. Viver os três é uma invenção orgânica.

Jamais petrificável.
Sempre a transformar-se e a superar a si mesma.

Se a ética se refere à expansão do consciente, que atitude direta se ligaria à expansão?

A experiência extrema.

É focalizar a mente no nível mais vibrátil que poderíamos conceber e observar desta perspectiva a realidade.

O estado não se sustenta por um tempo longo. É impossível mantê-lo constantemente.

É descoberta pessoal.
Torna-se um modo voluntário de pôr o organismo em êxtase.

Não é para o interesse de todos.

Traz o consciente à posição de experienciar do transcendental maravilha.
Só.

É vibrar o organismo na perspectiva do infinito.
Cósmico.
Em beleza.
Sub specie æernitatis.

Esta narrativa se resume para significar:

A continuidade da vida é perfeita.
A intensificação da experiência é perene.

Nós seremos nós mesmos.
Melhores.

Para sempre.
Ao infinito.

Com o nosso corpo.

Em prazer.



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